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Desporto sustentável 2

Sábado, Novembro 07, 2009

As notícias sobre resultados de controlo anti-doping positivos em atletas profissionais são frequentes e fazem a delícia dos media. A impressão disseminada no público é que o doping representa um fenómeno imanente ao desporto de elite e a que nenhum atleta pode escapar se desejar pertencer a essa mesma elite. Olhando com um pouco mais de atenção, reparamos que um dado que falta sempre, seja nos órgãos de comunicação, seja nos relatórios da Agência Mundial Antidopagem (AMA) é precisamente a prevalência de violação das regras no seio da população mundial dos atletas de elevado rendimento.

Tendo em conta o relatório produzido pela AMA (http://www.wada-ama.org) após os Jogos Olímpicos de Pequim, verifica-se que foram analisadas 5000 amostras de urina e que 10 deram resultados positivos. Durante o ano de 2007, a AMA levou a cabo 223898 testes, com uma percentagem de resultados positivos de 1, 97. De acordo com estes dados, o recurso ao doping seria extremamente raro no meio dos atletas de elite, com uma taxa de prevalência inferior a 2%. Poderíamos pois respirar de alívio e censurar o alarmismo sobre um problema que afinal, não é assim tão problemático.

Mas será que o sistema de controlo é assim tão eficaz? Tendo em conta que Marion Jones, que cumpre pena por doping, nunca acusou resultados positivos, que o ciclista Riccardo Ricco foi controlado 10 vezes durante a Volta à França de 2008 e que acusou 2 testes positivos quando, segundo o próprio atleta declarou à Velonews, todos os testes deveriam ter resultados positivos, colocam-se dúvidas pertinentes sobre a metodologia de controlo, até mesmo sobre a agenda secreta do controlo.

Ao mesmo tempo, estudos realizados com atletas não profissionais elevam a taxa de prevalência de doping para mais de 30% (Yesalis & Bahrke, 2000).

Incontornável para atletas e treinadores é a nebulosa de influências, por vezes contraditórias, que modelam a sua conduta. Se os atletas competem pelo sucesso, o público dos estádios e as audiências televisivas desejam espectáculo e drama, emocionalmente potenciados pelos media até limites inconcebíveis mas, ao mesmo tempo, ancorados em difusos enquadramentos morais. Os patrocinadores querem heróis desportivos que ganhem competições de forma “honesta”, abandonando rapidamente o apoio quando surgem escândalos (os exemplos abundam e a recente reunião da Federação Internacional de Rugby, que afirma como prioridade a promoção de uma imagem “limpa” é bem a expressão dessa preocupação das organizações com a eventual fuga dos suportes financeiros).

Por último os políticos, que financiam o desporto de elite por razões identitárias e apoiam igualmente, por vias legais e económicas, a luta anti-doping.

Citando o sociólogo britânico Ellis Cashmore, no seu livro Making Sense of Sports, “nós, público, não queremos que eles (atletas) se comportem como pessoas educadas, queremos emoção, espectáculo, um pouco de sangue de vez em quando.”

CG

Joaquim Viana

Sexta-feira, Outubro 30, 2009
Não ! Longe de mim pretender ser o necrologista deste blogue. Mas a infausta notícia do falecimento de Joaquim Viana, o sócio número 1 do Ginásio, cidadão bom e de expressiva simpatia, homem discreto mas de convicções firmes, figueirense entusiasmado, parceiro imprescindível das comemorações clubistas, funcionário público de carácter exemplar, pai e marido dedicadíssimo, amigo de muitos amigos, é razão mais do que suficiente para aqui deixar a minha homenagem e o meu profundo pesar. Creio, mesmo sem lá ter estado, que no instante do último adeus o Zé Rolinho Sopas terá repicado, com emoção contida, um fortíssimo Vai d'arrinca !
-Zás-trás, respondo daqui, comovido, no silêncio destas palavras.

PMB

E AOS COSTUMES DISSE NADA...

Quinta-feira, Outubro 29, 2009
Em Outubro de 2005, neste mesmo blogue, publiquei um texto, evidenciando a importância do planeamento estratégico a quatro anos das federações e dos clubes desportivos, e a sua articulação com os mandatos autárquicos e os programas de governo.

Recordo agora que, nesse mesmo ano, separadas por meses, tiveram lugar eleições legislativas, eleições autárquicas e eleições nas federações desportivas e Comité Olímpico de Portugal.

Por sua vez, o Programa do XVII Governo Constitucional referia no número IV do Capítulo III, com o título Mais e Melhor Desporto “valorizar e apoiar as actividades regulares das federações desportivas e dos respectivos clubes, estimulando a participação e a democracia interna, o equilíbrio financeiro, o cumprimento e a fiscalização dos seus planos de actividades e orçamentos anuais e plurianuais”.

Chegados a Outubro de 2009, mesmo sem recorrermos a dados estatísticos, todos concordamos que hoje, nos espaços públicos, é visivelmente maior o número de pessoas que pratica desporto não federado, nas férias, durante a semana e aos fins-de-semana e, se considerarmos o número de vezes que o fazem, podemos dizer que o praticam de uma forma mais intensiva que na década passada.

No que se refere ao desporto federado, como balanço destes quatro anos, há que analisar não só as diferentes actividades dos quadros competitivos, mas também o impacto que teve o novo enquadramento normativo na organização e autonomia das federações.

Por isso, no início de um novo ciclo olímpico, e após este longo período eleitoral (assembleia da república, autarquias, federações e comité olímpico) e sem perder o optimismo, continuo com algumas das preocupações que tinha há quatro anos atrás, às quais acrescento:

- a fiscalização dos planos e orçamentos federativos por parte da Administração Central, Regional e Local

- a conformidade dos estatutos federativos com a lei que consagra o novo Regime Jurídico das Federações Desportivas e o sucesso que se pretende com a aplicação dos mesmos

- o custoso que é dotar, a grande maioria das federações, com membros dos órgãos jurisdicionais licenciados em direito, que assegurem o seu regular funcionamento nos domínios da arbitragem e da justiça. Recordo que o decreto-lei 111/97, que revogou o decreto-lei 144/93, deixou de obrigar a que todos os membros dos órgãos jurisdicionais tivessem esta habilitação académica, (restringindo-a ao órgão presidente), pois tinha-se constatado que as de menor expressão social tinham dificuldades em encontrar estes especialistas com uma disponibilidade que garantisse a resposta, em tempo oportuno, aos diferendos que surgissem entre os agentes que participam na sua actividade. Todos sabemos que esta situação eleva os níveis de conflitualidade, e prejudica a actividade regular de uma federação.

- a empregabilidade, entendida como a capacidade exigida aos empresários e aos trabalhadores de se adaptarem às novas tecnologias e à mudança na organização das empresas, após os desafios que surgem com a globalização da produção e a abertura das economias.

- os problemas na obtenção de crédito e o que isto influencia o desenvolvimento desportivo

Após tudo o que está escrito atrás, concluo que é necessário e urgente, mais do que nunca, procurar sinergias e complementaridades com todos os intervenientes no processo desportivo.

Como actualmente não estou comprometido politica e desportivamente com este processo, tenho o privilégio de o apreciar com um certo distanciamento. Lembrei-me, por isso, da Justiça e dos Tribunais, quando as testemunhas prestam juramento de que vão dizer a verdade e que não têm nenhum grau de parentesco ou afinidade especial com as partes envolvidas num determinado processo judicial. Daí, o título, e aos costumes disse nada.

FE

HÁ UM “FUTEBOL GAY”?

Segunda-feira, Outubro 26, 2009
Foi notícia no início do corrente mês de Outubro no futebol francês, campeonato amador, a recusa da equipa “Géteil Bébel”, formada por futebolistas muçulmanos, em que jogou com a equipa “Paris Foot Gay”, formada por jogadores homossexuais.

Se eu já tinha a convicção de que eles andavam por aí e a suspeita de que também no futebol, agora aí está a definitiva certeza de que a homossexualidade está não só naturalmente disseminada pelo mundo do futebol – o que acho natural e em nada me perturba! – mas está agora também assumida ostensiva e provocatoriamente numa equipa de homossexuais.

Que sentido tem uma equipa de homossexuais que não seja o do espectáculo, exibicionista e provocatório, para as gentes e os tempos.

Haverá acaso um terceiro género que justifique a constituição de uma equipa de homossexuais?

Claro que não.

Mas a sequência seria de um campeonato para equipas de homossexuais a que se seguiria o campeonato da Europa e do mundo só para equipas de homossexuais … Mas tal já não pode ser por discriminatório!

Já está a ver neste “Paris Foot Gay” o sistema defensivo da “marcação à zona” definitivamente preterido pela rigorosa “marcação homem a homem”.

Questiono-me pelo critério da equipa de arbitragem perante um jogo mais físico, quero dizer, de maior contacto físico dos jogadores do “Paris Foot Gay”.

E não duvido que o “Paris foot Gay” será acabado exemplo do fair play, com exuberantes manifestações dele, em particular face a equipas adversárias constituídas por verdadeiros atletas, altos, fortes e espadaúdos e, vá lá também, elegantes… não sei se os golos da equipa adversária não serão comemorados em conjunto!

Mas pergunto-me que sucederá quando o defesa central cair de amores pelo avançado da equipa contrária ou quando o outro central se “enciumar” com a marcação apertada do seu colega ao tal avançado…

Não sei ainda o que aconteceu aos muçulmanos do “Géteil bébel” por parte das autoridades desportivas francesas, mas sei o que me vai acontecer a mim – a acusação de homofobia!

Paciência! Ainda não é crime ter esta opinião e quando o for – tudo se projecta nesse sentido – que este escrito já tenha caído no esquecimento ou “prescrito”.

JG

BRUXEDOS E MILAGRES NA SELECÇÃO NACIONAL

Quarta-feira, Outubro 21, 2009
De um modo geral entende-se que o “milagre” é um acto extraordinário benéfico, alheio ao natural e de inspiração sobrenatural, enquanto que a “bruxaria” está ligada aos espíritos malignos e a sua acção visa, obviamente, a obtenção de efeitos maléficos.

Ao certo ainda não sabemos qual das duas práticas se fez sentir com maior incidência na selecção do Prof. Carlos Queiroz, mas parece que, de facto, inicialmente a “equipa das quinas” sentiu algum efeito da “bruxaria”, pois não é compreensível ao ser humano vulgar, como é que numa Série tão fraca, a formação portuguesa com tão bons jogadores (individualmente) se tenha arrastado, penosamente, ficando até à mercê de favores de terceiros para sonhar com a África do Sul.

Curiosamente, até foi no período em que o “bruxo espanhol” começou a atormentar Cristiano Ronaldo e agora ameaça torná-lo impotente (será nos golos ?), que a selecção portuguesa averbou os pontos em disputa. Será que a “magia branca” dos bruxos lusos, solidariamente, levou de vencida a “magia negra” dos colegas do outro lado da fronteira?

Bom, agora que já se sabe que no “play-off” Portugal vai enfrentar essa potência chamada Bósnia-Herzegovina, parece que se deveria recorrer a Felipe Scolari que emprestasse a imagem de N.ª Sª de Caravagio para ver se desta feita produzia um qualquer milagre, pois, anteriormente, no tempo do “sargentão”, os resultados foram aquilo que se viu.

Em resumo: agora que novo “milagre” aconteceu no sorteio, com a Bósnia a sair na rifa, é preciso estar atento às “bruxarias”, pois certamente haverá muita gente a fazer figas ao seleccionador e aos jogadores. Mas, se ao fim de tantos milagreiros sorteios, Portugal mesmo assim Portugal não conseguir dobrar o Cabo das Tormentas, então é imperioso que umas tantas figuras (figurões) sejam mandados para casa do…diabo.
AV

Desporto sustentável

Terça-feira, Outubro 20, 2009

Existem áreas da nossa vida social em que a existência de consensos representa mais um empecilho à clareza de ideias e ao avanço do conhecimento do que um factor de estabilidade ou relativa acalmia. Em contraponto, a polémica sobre os temas realmente importantes, quando intelectualmente séria e fundamentada é a via mais frutuosa para iluminar o presente e entrever o futuro.

E confesso que não me incomoda a polémica quando se trata de abordar o papel do Desporto na sociedade actual e a recusa de o considerar apenas como negócio ou instrumento identitário. E concordo também que não há nada mais excitante do que uma boa competição desportiva, interpretada por grandes atletas.

Vem isto tudo a propósito da cidade de Copenhaga. A capital da Dinamarca assistiu há semanas ao corrupio de dirigentes mundiais para promover a candidatura dos seus países à organização dos Jogos Olímpicos de 2016. Quem se lembra ainda dos tempos da Guerra Fria, recordará por certo as duras (e justas) críticas feitas aos países do bloco soviético pela instrumentalização política do Desporto e pelos gastos desmedidos de dinheiro dos contribuintes que a conquista de medalhas a todo o custo acarretava – e de que o exemplo manifesto era a defunta República Democrática Alemã.

Desde esse passado remoto, o Desporto, agora limpo de querelas ideológicas, tornou-se consensual, ou seja, amoral e inquestionável, apenas aqui e ali pontuado por desvios pontuais, fruto das acções de espíritos menos correctos. Discute-se o jogo do fim-de-semana passado (o que sempre faço com gosto e veleidades de treinador) porque o resto é aceitável para toda a gente.

O destino voltou a reunir a os líderes políticos em Copenhaga, agora para tentar uma derradeira acção que consiga controlar as alterações climáticas e evitar a catástrofe ecológica. O presidente do Brasil parte para a cimeira com uma prioridade clara: ajudem-nos a salvar a Amazónia ou daqui a 10 anos não vai restar nada.

Talvez presumidamente, creio que é um bom tema de discussão.

CG

OH ÉGUA, MARTHA MAXINE!

Sexta-feira, Outubro 16, 2009
Há não muito deixei neste sítio um post acerca da atleta sul africana Caster Semenya, campeã do mundo dos 800 metros.

Falei então da eventual “batota” quanto ao sexo de Caster Semenya e evidenciei estranheza quanto à abrupta reacção rácica da federação sul africana de atletismo.

A questão, investigada pela federação internacional ainda não está resolvida , muito embora as últimas notícias apontem para a eventualidade de Caster Semenya poder ser hermafrodita.

Enquanto se aguarda pela decisão final, tomo nota de que questão idêntica se suscitou nas provas equestres dos Estados Unidos com referência a Martha Maxine.

Martha Maxine participou, e triunfou, em várias corridas na categoria de éguas, até que surgiram as primeiras suspeitas sobre o sexo de Martha fundamentalmente porque “tinha uma grande massa muscular, como os machos”.

Estranha coincidência com Semenya – as vitórias e as massas e potência musculares na origem das suspeitas!

A diferença reside na circunstância de Martha jamais se ter produzido para ser capa de revista como Semenya!

A diferença reside na circunstância de que os resultados dos exames médicos feitos a Martha determinaram que tinha cromossomas masculinos, ou seja, que é hermafrodita e, em Junho último, foi reclassificada como macho e impedido de participar em corridas exclusivas para éguas.

Aguardo pois, ainda com maior interesse, pela decisão definitiva da federação internacional de atletismo acerca de Caster Semenya e da subsequente posição da federação sul africana de atletismo.

Martha essa já sabe que o seu destino é correr com os machos, sendo que o seu treinador e o seu proprietário jamais falaram de perseguição rácica ou outra.

Diferenças…!

JG

Anabela

Quarta-feira, Outubro 14, 2009
Cada vez com maior e demasiada frequência, vou recebendo notícias de mortes de conhecidos o que me leva, sem dar conta, a recorrer à ideia feita do destino inevitável, para atenuar o desconforto. É o racionalismo dos não crentes onde fundo, convictamente, o sentido da vida e um sinal seguro da passagem dos dias. Mas hoje, ao saber do falecimento da jornalista Anabela Vaz, minha antiga aluna de personalidade peculiar, senti vibrar um nervo diferente onde se confundem sobressalto, melancolia e rejeição. Sempre achei graça ao seu ar aparentemente distante, à sua energia profissional, ao seu meio-sorriso "da vinciano". Trocámos umas breves palavras no último convívio de gerações do Ginásio onde ela, afanosa e generosamente, filmava o evento. Dizem-me que partiu, assim jovem. Apesar da incredibilidade inicial que estes acontecimentos sempre provocam, apesar da mais antiga e repetida interrogação dos humanos, apeteceu-me evocar a sua memória com as palavras de Sophia: " Cada dia é mais evidente que partimos, sem nenhum possível regresso no que fomos. Cada dia as horas se despem mais do alimento. Não há saudades nem terror que baste !"
PMB

Competitividade Internacional

Quinta-feira, Outubro 01, 2009
As federações desportivas nacionais têm duplas missões: coordenar e promover a actividade interna e assegurar a representação nas competições internacionais. Para grande parte dos dirigentes esta última função sempre foi a mais apetecida porque mais prestigiante.
Por razões económicas e sociais várias, as várias federações das várias modalidades têm vindo a dar crescente importância à participação internacional, considerada como a montra da qualidade do produto interno.
Um das mais activas (mas não a única) promotoras desta estratégia tem sido a Federação Internacional de Basquetebol/Europa, que incentiva as suas filiadas a organizarem todos os anos 12-15 campeonatos europeus de ambos os sexos, de todos os escalões etários, com 3 divisões qualitativas. Este frenesim transformou as federações em organizadores de eventos e convida-as a esgotar todos os seus recursos na preparação para os citados eventos. Na prática, uma federação pode funcionar como um clube cujo objectivo principal está centrado em si mesmo.
Olhemos os resultados deste Verão: das 18 medalhas em disputa na 1ª divisão, 13 foram conquistadas por 3 países, países esses que estiveram entre os 5 primeiros classificados do Campeonato da Europa de Seniores masculinos, disputado recentemente na Polónia e no último Campeonato da Europa de Seniores femininos, jogado na Letónia. Se este não é o melhor sistema para perpetuar uma oligarquia...
CG

O mar da Figueira

Em maré de campanhas eleitorais é sempre bom falar de coisas importantes como o Desporto.
No início da época desportiva, tenho assistido às declarações de vários responsáveis que, com uma ou outra excepção, coincidem num ponto: a crise económica obrigou a contenção de despesas, as competições vão ser de pior qualidade, não se vislumbram melhorias, etc.
Tudo isto é verdade e resulta de simples aritmética e bom senso de intendência: se há dinheiro compro mais, se não há compro menos.
Sem presumir que pesquisei tudo o que foi tornado público, pressinto que ninguém coloca o problema das políticas, das estratégias, das escolhas de futuro, da organização institucional, que me parecem a montante da escassez de recursos e continuarão a lá estar em tempos de vacas menos magras.
Quem conhece o incomparável mar da Figueira sabe que, quando a onda é alta, basta entrar por baixo dela e esperar que passe a turbulência. E quando vier outra, faz-se o mesmo. E será que vai ficar tudo na mesma?
CG

QUEM SEMEIA VENTOS (O PRESIDENTE DA CD DA LIGA) COLHE BORRASCA

Já há tempos, neste mesmo espaço, escrevi, contrariando a opinião dominante publicada nos jornais desportivos e veiculada pela maioria dos comentadores televisivos, que o chamado processo “Apito Final”, estava longe de estar encerrado.

Alertei então que o arquivamento, melhor, o rearquivamento dos processos crime na jurisdição comum ia suscitar uma batalha jurídica pela reabertura / revisão dos processos desportivos pois que se não trata de matéria exclusivamente ou essencialmente desportiva.

Alertei então que viriam por aí avultados pedidos indemnizatórios…

Foi por isso que não estranhei que o Sr. Presidente da Comissão disciplinar da Liga continue a desdobrar-se em entrevistas sobre a matéria, cerca de um ano depois das suas judiciosas decisões (?!), e que, nos passados 3 e 4 de Setembro, a pág. 34 de ambas as edições do “Público” tenha voltado ao tema com dois escritos de página inteira sob o titulo “APITO FINAL: mais de um ano depois” (I e II).

Dizem-me que o faz hoje, como o fez ontem, por pura vaidade e insaciável sede de protagonismo e notoriedade públicos.

Não o creio. Mas se for não há piores características para um julgador, sabendo-se que a vaidade trai inevitavelmente o sentido de equilíbrio, a ponderação e o bom senso próprios do justo julgador.

Dizem-me que o faz para melhor explicar as decisões que sabiamente proferiu.

Não o creio. As decisões que proferiu e a sua longa fundamentação não exigiriam, nem exigem a todos os demais juízes, qualquer outra explicação para além do que escrito está nos acórdãos proferidos.

Que sentido faz este julgador persistir na explicação agora com artigos de jornal, depois de, estranhas e jamais vistas, entrevistas televisivas.

Só há uma primeira explicação – a má consciência que o atormenta!

É que a subjectividade na apreciação da prova, melhor na apreciação do depoimento da “testemunha”, descredibilizada pelo seu próprio comportamento posterior nos tribunais, foi posto em crise pela sua não consideração pelos tribunais comuns, que julgaram a “testemunha” como não credível…

É que agora um tribunal superior mandou desentranhar as escutas de um dos processos do futebol…

Em conclusão: o Senhor Presidente da CD da Liga sabe o que aí vem e que vai ser um dos visados dos pedidos indemnizatórios avultadíssimos que se preparam.

Vem aí borrasca e da grossa!

Mas quem semeia ventos…

JG